Como a transexualidade é encarada pela medicina?

Em 2011, uma jornalista do Jornal do Comércio resolveu dar luz à luta diária de milhares de pessoas transexuais. Em uma série de reportagens, Fabiana Moraes contou a história de “transformação” física do agricultor João Batista na cabelereira Joicy. Além de abordar os traços psicológicos, as matérias trouxeram informações preciosas sobre como funciona o processo de adequação de sexo sob a perspectiva do Sistema Único de Saúde brasileiro.

O Ministério da Saúde afirma que cerca de 6.720 procedimentos ambulatoriais já foram realizados em todo o Brasil, sendo 243 operações pelo SUS. Joicy faz parte desta estatística.

O que é transexualidade?

Transexualidade. É importante ressaltar sempre que não é transexualismo e, sim, transexualidade. O termo diz respeito à identidade de gênero de uma pessoa. Ou seja, uma pessoa transexual não se identifica com o gênero socialmente construído e o sexo biológico com o qual nasceu. Joicy nasceu João Batista e foi ensinado a ser homem porque tinha um pênis. Ao longo da sua descoberta como ser humano, percebeu que se identificava como mulher e buscou o procedimento de adequação sexual, que acontece através de cirurgia.

Polêmica

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Uma das principais lutas do movimento trans é a despatologização das pessoas trans e segue as mesmas revindicações da comunidade LGBT no fim do século passado. Entretanto, a medicina brasileira ainda coloca a cirurgia de redesignação sexual como uma prática prescrita no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM).

O que isso quer dizer? Para a medicina, a transexualidade é considerada um transtorno mental e psicológico que deve ser tratado através de acompanhamento psiquiátrico e, em casos definitivos, amenizado através da operação de readequação sexual (esse é um dos lados da discussão).

Por esse motivo, antes da cirurgia, o paciente passa por um tratamento psicológico intenso, de cerca de 3 anos – no caso de Joicy, duraram 7 – para que o psiquiatra possa dar um laudo confirmando o transtorno. Todo e qualquer procedimento ambulatorial, em seguida, deve ser feito com o aval do profissional.

Homens Trans

Os homens trans são aqueles que nasceram com o sexo biológico feminino e foram designados socialmente como tal, mas se identificam com o gênero masculino. É o caso de Jamie, jovem britânico, que se descobriu transexual na adolescência e, agora com 21 anos, posta vídeos no Youtube documentando as fases de mudança do seu corpo por conta da terapia hormonal com testosterona.

Para eles, o processo geralmente é feito com duas cirurgias: mastectomia (a retirada dos seios) e a transgenitalização (mudança de genitália). Jamie já fez a primeira, e mostra os resultados no vídeo abaixo:

Ainda segundo o DSM, a incidência de mulheres trans é mais do 3 vezes maior do que homens trans. Os dados apontam que existe um homem trans a cada 100 mil pessoas e uma mulher trans a cada 30 mil.

Esse artigo conta apenas algumas perspectivas e informações sobre um processo considerado complexo. Se você desejar compartilhar outros pontos conosco, ficaremos felizes em lê-los através dos comentários.

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