Diabetes – Conheça os sintomas e saiba como prevenir

A diabetes é uma das doenças mais recorrentes do mundo, com números alarmantes. De acordo com pesquisas da IDF (International Diabetes Federation), pelo menos 250 milhões de pessoas no mundo são portadoras de diabetes tipo 2. Em 11 anos, esse número deverá chegar a 380 milhões, sendo que pelo menos 50% dos diabéticos não tem conhecimento sobre sua condição. Nos países em desenvolvimento, essa porcentagem pode chegar a 80%.

Ainda segundo a IDF, a cada ano são registrados mundialmente sete milhões de novos casos e pelo menos 3,8 milhões de óbitos devido a complicações decorrentes da doença, como falência renal e problemas cardíacos.

Casos mais severos podem necessitar de doses diárias de insulina injetável, geralmente aplicada uma ou duas vezes por dia.

Casos mais severos podem necessitar de doses diárias de insulina injetável, geralmente aplicada uma ou duas vezes por dia.

Apesar de não ter cura, a diabetes é facilmente controlável. Porém, para começar o tratamento, é importante criar condições para o diagnóstico fazendo exames de rotina e prestando atenção aos sintomas, já que, ao contrário do que se acreditava no passado, o organismo de diabéticos dá sinais muito característicos de que algo está errado.

 

Mas afinal, o que é a diabetes?

Fique atento!  Sem o tratamento adequado, o diabetes mellitus pode causar complicações e consequências graves em várias partes do corpo.

Fique atento! Sem o tratamento adequado, o diabetes mellitus pode causar complicações e consequências graves em várias partes do corpo.

A Diabetes mellitus é uma doença que acomete o pâncreas, causada pela produção insuficiente ou resistência do organismo a insulina. A insulina, por sua vez, é o hormônio responsável pelo processamento metabólico dos carboidratos – ou açúcares –  fazendo com que todo o açúcar consumido seja absorvido pelas células e transformado em energia. Se há deficiência de insulina no corpo, o açúcar fica na corrente sanguínea, ocasionando o diabetes.

Existem pelo menos três tipos de diabetes mais comuns. São eles:

1.    Diabetes Tipo 1

A diabetes tipo 1 é uma doença autoimune, já que ocorre através de uma deficiência específica do próprio organismo, como uma espécie de auto sabotagem do sistema imunológico. Ocorre porque o pâncreas não produz insulina o suficiente para atender as necessidades do corpo.

Os portadores desse tipo de diabetes são insulinodependentes, necessitando de injeções diárias de insulina. Também é conhecida como diabetes infanto-juvenil, já que é mais propensa a aparecer em menores de 25 anos.

2.    Diabetes Tipo 2

É o tipo mais comum de diabetes, correspondendo a cerca de 90% dos casos. Originalmente, era mais recorrente em maiores de 40 anos com sobrepeso. Porém, recentemente, devido a consequências da vida moderna – como maus hábitos alimentares, sedentarismo e estresse, por exemplo – tem sido registrada com frequência cada vez maior em pessoas jovens com peso considerado ideal. Diferente do Tipo 1, o pâncreas de portadores do Tipo 2 produz insulina, mas o corpo cria uma espécie de resistência ao hormônio.

O tratamento é feito apenas com a mudança de hábitos diários, como o corte do consumo de açúcar, bebidas alcoólicas e cigarro, a prática de exercícios físicos e o controle diário dos níveis de glicose através de um aparelho chamado glicosímetro, que tem um funcionamento muito simples. O dispositivo vem com várias fitas chamadas tiras reagentes. Para medir a quantidade de açúcar no organismo, é preciso fazer um pequeno furo na lateral de um dos dedos com a lanceta, uma espécie de agulha especial que geralmente acompanha o glicosímetro e também pode ser adquirida em farmácias. Uma gota de sangue deve ser colocada numa parte específica da tira reagente, geralmente colorida. Em seguida, a tira deve ser colocada num espaço na parte superior do glicosímetro, conhecido como porta para teste. O resultado da medição aparecerá na tela do aparelho dentro de poucos minutos.

 

Estrutura do glicosímetro, aparelho utilizado para medir os níveis de glicose de diabéticos.

Estrutura do glicosímetro, aparelho utilizado para medir os níveis de glicose de diabéticos.

 

Maneira correta de fazer a punção – o ato de retirar sangue para o teste do glicosímetro. Limpe o local com álcool 70% antes de realizar o procedimento.

Maneira correta de fazer a punção – o ato de retirar sangue para o teste do glicosímetro. Limpe o local com álcool 70% antes de realizar o procedimento.

3.    Diabetes gestacional

Como o nome sugere, é a diabetes que começa durante a gestação, sendo diagnosticada geralmente entre a 24ª e 28ª semanas. Ocorre quando os hormônios da gravidez impedem a atuação da insulina e é mais comum em gestantes com mais de 30 anos que tenham algum caso de diabetes na família. O tratamento é feito de forma semelhante ao da Diabetes Tipo 2. Entretanto, os cuidados devem ser dobrados, já que a diabetes gestacional pode ocasionar um crescimento exagerado do bebê, o que, além de dificultar o nascimento, pode torna-lo mais vulnerável à obesidade infantil. A criança também tem maiores probabilidades de apresentar problemas respiratórios, icterícia e hipoglicemia. Cerca de um mês e meio após o parto, os níveis de açúcar no sangue da mãe tendem a voltar ao normal. Porém, mulheres que tiveram diabetes gestacional são mais propensas a apresentar diabetes tipo 2 no futuro.

 

Existem ainda outros tipos de diabetes causados por infecções, anomalias genéticas, doenças no pâncreas e uso contínuo de certos medicamentos ou drogas, mas são casos raros.

 

Sintomas da diabetes mellitus

Diagnóstico de Diabetes Mellitus é comumente feito através de exames que medem a quantidade de miligramas de açúcar por decilitro de sangue (mg/dl), como a Glicemia de Jejum e a Curva Glicêmica.

Diagnóstico de Diabetes Mellitus é comumente feito através de exames que medem a quantidade de miligramas de açúcar por decilitro de sangue (mg/dl), como a Glicemia de Jejum e a Curva Glicêmica.

 

De forma geral, os sintomas da diabetes são os mesmos para todos os tipos, embora os sinais tendam a ser mais intensos em portadores do Tipo 1. São eles:

  • Vontade frequente de urinar, inclusive repetidas vezes durante a madrugada;
  • Sede excessiva;
  • Cansaço;
  • • Perda de peso;
  • • Visão embaçada;
  • • Fome excessiva;
  • • Dificuldade para cicatrização de feridas e machucados;
  • • Infecções frequentes;
  • • Sintomas relacionados ao aumento do nível de ácidos no organismo, como dor abdominal, dificuldade respiratória, confusão mental, náuseas e vômitos.

 

Tratamento do diabetes

 

Legumes e vegetais são fundamentais para o tratamento e controle do diabetes. Vale apostar em ervas aromáticas e temperos naturais para dar um sabor extra ao prato.

Legumes e vegetais são fundamentais para o tratamento e controle do diabetes. Vale apostar em ervas aromáticas e temperos naturais para dar um sabor extra ao prato.

Infelizmente, nenhum tipo de diabetes mellitus tem cura (exceto a diabetes gestacional, que é uma situação temporária e dura até o nascimento do bebê). Porém, com tratamento adequado e fazendo a manutenção dos níveis de glicose no sangue, é possível levar uma vida praticamente normal.

Uma dieta equilibrada é a chave do tratamento. A maior restrição é em relação ao carboidrato, nutriente que mais afeta o nível de açúcar no sangue, e deve ser evitado do máximo. O componente se encontra em doces, pães, batata, mandioca, farinha, massas, alguns cereais (como o arroz branco) e biscoitos. Porém, o regime não precisa ser absolutamente sem sabor. De vez em quando, doces diet são permitidos. Frutas na sobremesa estão liberadas, desde que se coma apenas uma fruta por vez. Uma dica é trabalhar com substituições ao invés de exclusões. A manteiga, por exemplo, pode ser trocada pela margarina light.

É essencial fazer várias refeições ao dia, com um intervalo de 3 a 4 horas entre cada uma delas. Se uma das principais refeições – café-da-manhã, almoço e jantar – atrasar, é fundamental comer algo leve, pois ficar muito tempo sem se alimentar pode fazer com que os índices de glicose caiam muito, o que também não é bom. O ideal é buscar o equilíbrio.

Abdômen é um dos pontos mais comuns para aplicação de injeções de insulina.

Abdômen é um dos pontos mais comuns para aplicação de injeções de insulina.

Caso seus exames apontem que será necessária a aplicação diária de insulina, não se preocupe: o procedimento é muito simples. Seu médico definirá o tipo certo de insulina, a agulha ideal para a injeção e o melhor local para aplicação – as opções são abdômen, coxas, braços ou nádegas. Também existe a possibilidade de haver um rodízio dos locais de aplicação para prevenir eventuais problemas de pele, comuns a quem toma injeções frequentes num mesmo lugar. A insulina deverá ser aplicada de uma a duas vezes por dia, dependendo do caso, geralmente no período noturno.

Já a frequência de verificação do açúcar no sangue com o glicosímetro varia de acordo com o tipo da diabetes. Portadores do tipo 1 devem checar os níveis glicêmicos antes de dormir, depois das refeições e após a aplicação das injeções de insulina. Para o tipo 2, a recomendação pode variar, sendo necessária a opinião de um médico. Entretanto, é comum que portadores desse tipo usem o glicosímetro apenas duas vezes por dia: logo depois de acordar e pouco antes do jantar.

 

Como se prevenir contra a diabetes

Uma rotina de hábitos saudáveis, incluindo alimentação correta e exercício físico, é o único jeito de combater e tratar a diabetes.

Uma rotina de hábitos saudáveis, incluindo alimentação correta e exercício físico, é o único jeito de combater e tratar a diabetes.

O caminho para prevenção ao diabetes é muito semelhante ao tratamento da doença já estabelecida, sendo baseado, basicamente, em um estilo de vida saudável. Ter uma rotina de exercícios físicos – coisas simples, como usar escadas ao invés do elevador, caminhar 30 minutos por dia ou ir de bicicleta para o trabalho, por exemplo – fazer exames médicos pelo menos uma vez por ano e ter uma alimentação equilibrada, sem excesso de carboidratos ou gordura, são os meios mais eficazes para prevenir a doença.

Mantenha atenção redobrada se estiver nos grupos de risco, como é o caso de hipertensos, obesos, pessoas com mais de 40 anos, com colesterol alto ou histórico familiar de diabetes e doenças cardíacas. Pessoas nessas condições devem evitar ao máximo medicamentos que agridam ao pâncreas (diuréticos e cortisona, por  exemplo), fugir de cigarros e álcool e controlar a pressão arterial. Essas medidas podem acabar com – ou ao menos adiar de maneira significativa – o risco de se desenvolver o diabetes.

Lembre-se, atividade física e dieta balanceada é a melhor maneira de levar uma vida tranquila, prevenindo não apenas a diabetes, mas inúmeras doenças!