Alzheimer – Ratos com a doença recuperam a capacidade de memorizar

Alzheimer – Ratos com a doença recuperam a capacidade de memorizar

Segundo dados coletados pela Universidade John Hopkins (EUA), existem cerca de 36 milhões de pessoas no mundo com a doença de Alzheimer; esse número alarmante tem feito surgir cada vez mais estudos a respeito da doença mas, até então as possibilidades de se reverter as disfunções neurológicas dos pacientes pareciam estar à um futuro distante.

Recentemente, pesquisadores do Instituto de Neurociência da Universidade Autônoma de Barcelona (UAB) conseguiram reverter a perda de memória nos estágios iniciais da doença – que fora aplicada em ratos e observada em amostras cerebrais humanas – por meio de uma terapia genética.

A terapia consiste em injetar diretamente no hipocampo – área do cérebro responsável pela memória e pela navegação espacial –  a proteína CRTC1; essa proteína permite ativar os genes envolvidos na formação da memória à longo prazo (que são os primeiros genes a “se apagarem” quando a doença começa a se espalhar pelo cérebro) atuando diretamente na sinapse entre neurônios.

 

Mal de Alzheimer - como ocorre

Na imagem: tomografia de como o Alzheimer se desenvolve no cérebro; no decorrer da doença surge um acúmulo de placas amiloides no cérebro, que impedem a CRTC1 de realizar corretamente as sinapses, “desativando” algumas áreas do hipocampo

O teste com os ratos se deu da seguinte forma: os ratinhos modificados geneticamente passaram a produzir níveis elevados da proteína beta-amiloide – uma proteína que se acumula entre neurônios, impossibilitando que eles conectem-se entre si e que inicia um processo inflamatório nas regiões afetadas, fazendo com que sejam liberadas toxinas prejudiciais ao sistema nervoso. Com o surgimento das placas amiloides, foi possível perceber que a proteína CRTC1 é alterada e para de funcionar logo nas primeiras manifestações da doença.

Após ficarem doentes, os ratos são colocadas em uma pequena piscina onde há uma ilhota para os ratos descansarem; são colocadas referências sobre a localização da plataforma por toda a extensão da parede da piscina para que possam memorizar sua localização. Os ratos saudáveis logo aprenderam a encontrar a ilha e iam diretamente em sua direção, enquanto os ratos com Alzheimer voltam a procura-la sem se recordar onde ela está no dia seguinte.

Quando a terapia genética foi aplicado nos ratos não saudáveis, as sinapses puderam voltar a ser realizadas e eles recuperaram sua capacidade de aprender e memorizar (mas não memórias perdidas anteriormente ao processo! É importante ressaltar) e passaram a recordar a localização da ilhota como os ratos saudáveis.

O processo de injetar o gene diretamente no hipocampo humano tem certas limitações mas os cientistas acreditam ser possível desenvolver um medicamento capaz de reativar o CRTC1 defeituoso para que ele retorne às suas atividades. O estudo com ratos será prolongado para que possa ser avaliada a possibilidade de recuperar o processo de aprendizado durante estágios mais avançados da doença.

 

Entenda melhor como funciona o Mal de Alzheimer e aprenda a identifica-lo

 

Mal  de Alzheimer causas e tratamento

Estima-se que no Brasil, 1 milhão e 200 mil pessoas sofram do Mal de Alzheimer

O Mal de Alzheimer consiste no declínio persistente das funções cognitivas e não-cognitivas, ou seja, na incapacidade de se reter memórias recentes, incapacidade de aprendizado e de realizar cálculos numéricos e apresentar distúrbios de comportamento – que podem ser tanto apáticos quanto agressivos.

Como vimos anteriormente, a doença se manifesta inicialmente por meio de placas senis mas no em seu decorrer, passam a surgir também emaranhados neurofibrilares. Esses emaranhados são uma mutação da proteína TAU (responsável por estabilizar os microtúbulos, filamentos responsáveis pela manutenção da estrutura da célula). Essa mutação diminui a capacidade da TAU de estabilizar esses filamentos, que acabam por romper o citoesqueleto da célula, resultando em sua morte neuronal.

Ambos os casos de alteração cerebral podem ser diagnosticados até 40 anos antes das manifestações clínicas da doença aparecerem. Essas manifestações são classificadas em quadros degenerativos de nível leve, moderado e grave.

 

Mal de Alzheimer - estágios dr.drauzio varella

Fonte: blog do Dr. Drauzio Varella

 

Mal de Alzheimer: como funciona o tratamento?

Tratamento para mal de alzheimer

O tratamento de Alzheimer tem como objetivo melhorar a qualidade de vida do paciente, mesmo que se inicie o uso de medicamentos somente em fases mais graves da doença

O tratamento consiste em corrigir as deficiências dos neurotransmissores por meio de dois tipos de drogas: as inibidoras de colinesterases – que atuam diretamente na produção da acetilcolina; em pacientes com Alzheimer, existe uma baixa de acetilcolina, que é a amina nurotransmissora responsável pela comunicação saudável entre neurônios.

Existem também as drogas antagonistas dos receptores de glutamato, essas drogas trabalham diretamente no neurotransmissor glutamato que, ao ser produzido em excesso, libera toxinas prejudiciais para o neurônio, por permitir a entrada de cálcio maciço em seu interior. Com os medicamentos é possível controlar essa produção, podendo assim preservar os neurônios do paciente, visando melhor qualidade de vida.

É importante ressaltar que até os dias de hoje não existe cura para o Alzheimer, somente tratamentos que levam a sobrevida do paciente e permitem a ele viver com mais conforto diante das adversidades provocada pela doença. O mal de Alzheimer é uma doença muito sofrida tanto para o paciente quanto para sua família, pois faz com que a pessoa doente se torne dependente de cuidados até em tarefas simples como escovar os dentes, é preciso muito amor, carinho e cuidado na hora de lidar com as dificuldades.

O maior fator de risco para o Alzheimer é a idade, a partir dos 65 anos as probabilidades de se ter a doença dobram a cada cinco anos. Quando diagnosticada precocemente, o paciente terá muito mais conforto e estabilidade sob a doença; fique atento à pessoas que se enquadrem a essa faixa etária e procure ajudar na identificação dos sintomas e, acima de tudo, compreender, apoiar e ser flexível caso o diagnóstico se revele positivo.