HIV e AIDS – Saiba a diferença, conheça os sintomas e saiba como se prevenir

Uma boa notícia: segundo o último relatório divulgado pela ONU (Organização das Nações Unidas), o número de mortes e novas infecções pelo vírus HIV, agente causador da Aids, caíram 38% no mundo todo. Em contrapartida, porém, os números no Brasil se mostraram alarmantes. Nosso país registrou um número de novos casos 11% maior em relação ao primeiro semestre de 2013. Além disso, 47% de todas as infecções pelo HIV no último ano na América Latina ocorreram em território brasileiro.

Apesar de toda informação disponível, o quadro brasileiro de novos casos de Aids ainda é preocupante. Os mitos e informações falsas que cercam a doença são, em boa parte, culpados pelo atual panorama. Se informar é o melhor jeito de prevenir a propagação da doença.

Apesar dos índices de contágio por HIV terem diminuído no mundo nos últimos anos, os números no Brasil continuam alarmantes.

Apesar dos índices de contágio por HIV terem diminuído no mundo nos últimos anos, os números no Brasil continuam alarmantes.

O que é?

Uma das dificuldades para se chegar a uma vacina ou cura para a AIDS é a capacidade de mutação do HIV, que se transforma sempre que se sente ameaçado por outra substância.

Uma das dificuldades para se chegar a uma vacina ou cura para a AIDS é a capacidade de mutação do HIV, que se transforma sempre que se sente ameaçado por outra substância.

 

 

AIDS é a sigla em inglês para Síndrome da Imunodeficiência Adquirida. Trata-se de uma doença que atinge o sistema imunológico do indivíduo, levando à diminuição e perda da imunidade. Em resumo, o organismo do portador fica sem defesas, totalmente vulnerável a infecções.

Por conta disso, a AIDS em si não mata diretamente. O que causa a morte do infectado são as chamadas doenças oportunistas – infecções como pneumonia ou tuberculose, por exemplo, que o organismo debilitado não é capaz de combater.

É importante esclarecer que HIV e AIDS não são a mesma coisa. HIV é o nome do vírus que é agente causador da doença – a AIDS. Quem tem o vírus na corrente sanguínea é soropositivo. Entretanto, nem sempre soropositivos chegarão a desenvolver AIDS. Assim, é possível que a pessoa infectada apenas transmita o HIV, sem apresentar nenhum sinal ou sintoma da doença.

Como o vírus age no organismo?

O HIV é um retrovírus – tipo de organismo que age invadindo células e se apropriando do DNA delas, causando uma reprodução descontrolada de células doentes.

Vírus HIV se apropria do DNA das células de defesa e o modifica, fazendo com que o sistema imunológico se autodestrua.

Vírus HIV se apropria do DNA das células de defesa e o modifica, fazendo com que o sistema imunológico se autodestrua.

No caso, as células apropriadas pelo retrovírus são os linfócitos, agentes de defesa do organismo produzidos na medula óssea. Quando infectados, os linfócitos passam a ser atacados pelo sistema imunológico, que não é mais capaz de reconhecê-las devido à presença do HIV dentro delas e acaba destruindo essas células de defesa fundamentais, deixando o organismo vulnerável a outras infecções.

 

Formas de contágio do vírus HIV

Sexo anal sem preservativo é o que mais apresenta riscos para contaminação por HIV devido a maior probabilidade de provocar lesões.

Sexo anal sem preservativo é o que mais apresenta riscos para contaminação por HIV devido a maior probabilidade de provocar lesões.

O vírus HIV encontra-se no sangue, no esperma, na secreção vaginal e no leite materno. Assim, a doença pode ser transmitida apenas das seguintes formas:

• Sexo sem preservativo com pessoas infectadas;

• Compartilhamento de agulhas ou seringas com alguma pessoa infectada;

• Através da chamada transmissão vertical – quando a mãe transmite o vírus para o bebê, através da gestação, parto ou amamentação;

• Transfusão sanguínea feita com sangue contaminado;

• Instrumentos não esterilizados e não descartáveis que cortam ou furam.

Mitos sobre o contágio

Campanha feita pelo Ministério da Saúde em 2009 alerta que contatos não-sexuais entre pessoas saudáveis e portadores de HIV não representam risco algum de transmissão.

Campanha feita pelo Ministério da Saúde em 2009 alerta que contatos não-sexuais entre pessoas saudáveis e portadores de HIV não representam risco algum de transmissão.

 

Muitas informações erradas são constantemente difundidas quanto às formas de transmissão do vírus. É importante ressaltar que não existe nenhuma possibilidade de haver contágio por HIV através de alguma das seguintes ações:

• Beijos, abraços ou apertos de mão;

• Compartilhamento de copos ou talheres com pessoas infectadas;

• Uso de vaso sanitário ou banheiros públicos;

• Piscinas;

• Contato com o suor ou lágrimas do infectado;

• Compartilhamento de qualquer tipo de objeto não cortante e não perfurante com pessoas infectadas.

O HIV encontra-se na saliva de pessoas infectadas, mas em quantidade muito pequena para chegar a ser transmitido.

Quanto ao sexo oral, há muitas controvérsias científicas em relação a seu papel na transmissão do HIV. Algumas pesquisas mais recentes indicam que as chances de contágio nesse caso são muito pequenas. Entretanto, a prática ainda pode transmitir outras doenças graves, como herpes, clamídia, gonorreia e sífilis, o que torna a proteção indispensável.

Sintomas da AIDS

Os sintomas típicos da AIDS podem demorar até 15 anos para aparecer. Por isso é importante fazer o teste com frequência.

Os sintomas típicos da AIDS podem demorar até 15 anos para aparecer. Por isso é importante fazer o teste com frequência.

 

Os primeiros sintomas da Aids aparecem de 14 a 21 dias após a infecção. O diagnóstico precoce é muito difícil porque, além de os primeiros sinais serem semelhantes aos de um resfriado comum, o HIV só é detectado em testes e exames de 40 a 60 dias após o contágio. Assim, quando os primeiros sintomas aparecem, é praticamente impossível fazer o diagnóstico.

Os sintomas da fase inicial, chamada fase aguda, são os seguintes:

• Febre acima de 38ºC;

• Dor de garganta;

• Tosse seca.

Assim como numa gripe, os sintomas desaparecem após alguns dias. Depois disso, a doença fica num estágio assintomático por tempo indeterminado. Após os sinais iniciais, o portador do vírus pode ficar por um período de até 15 anos sem sequer desconfiar que tenha HIV.

Eventualmente, aparecerão os principais sintomas. São eles:

• Febre constante;

• Tosse seca;

• Suor noturno;

• Dor de cabeça, nos músculos e nas articulações;

• Cansaço, fadiga e perda de energia;

• Emagrecimento rápido – o portador de HIV pode perder até 10% de seu peso em um intervalo de um mês;

• Manchas avermelhadas e/ou feridas na pele;

• Aparecimento repentino de candidíase;

• Diarreia;

• Inchaço dos gânglios linfáticos – pequenas estruturas localizadas no pescoço, atrás das orelhas, embaixo das axilas, no tórax, abdômen e virilha;

• Manchas pretas, verdes ou amareladas nas unhas.

Esses sintomas, em geral, surgem quando o número de linfócitos (células de defesa) no organismo já está abaixo do normal. A tendência é que, em seguida, as primeiras doenças oportunistas comecem a aparecer.

 

Tratamento

Um coquetel para tratamento do HIV pode ter de 3 até 7 substâncias diferentes.

Um coquetel para tratamento do HIV pode ter de 3 até 7 substâncias diferentes.

 

O tratamento da doença é feito com vários medicamentos – popularmente conhecidos como “coquetel” – que estão disponíveis gratuitamente pelo SUS, que dispõe de um dos catálogos de antirretrovirais (remédios que combatem o HIV) mais completos do mundo. Esses remédios servem para diminuir a carga viral (a quantidade de material genético do HIV dentro das células) e fortalecer o sistema imunológico do paciente.

Os medicamentos utilizados e as doses ideais variam de pessoa para pessoa. Nos primeiros dias de tratamento, os remédios podem causar alguns efeitos colaterais, como enjoo, vômito e dor de cabeça. Esses sintomas tendem a desaparecer com o passar do tempo. Caso reapareçam em algum ponto do tratamento, é importante comunicar ao médico, para que a intensidade das doses da medicação seja diminuída.

Além de tomar o coquetel, o paciente deverá voltar ao consultório médico semestralmente, praticar atividades físicas regularmente e definir uma dieta com a ajuda de um nutricionista, já que a alimentação do soropositivo deve ser muito completa e específica, de acordo com a situação do sistema imunológico.

É importante lembrar que soropositivos podem ter uma vida sexual normal, desde que sempre usem preservativos. As relações desprotegidas não estão liberadas nem quando ambos os parceiros são soropositivos, já que existem vários subtipos de HIV, ou seja, os vírus não são todos iguais. Se contaminar com outro subtipo de HIV pode complicar ainda mais a saúde do soropositivo.

 

Prevenção

Não existem grupos de risco para o HIV, mas sim comportamentos de risco. Todos estão suscetíveis à doença. Lembrando que, apesar de menos comum, a transmissão do HIV também ocorre entre mulheres, que podem optar pelo preservativo feminino. Durante o sexo oral entre duas mulheres, o uso do papel filme pode ser uma maneira de se proteger de doenças sexualmente transmissíveis.

Não existem grupos de risco para o HIV, mas sim comportamentos de risco. Todos estão suscetíveis à doença. Lembrando que, apesar de menos comum, a transmissão do HIV também ocorre entre mulheres, que podem optar pelo preservativo feminino. Durante o sexo oral entre duas mulheres, o uso do papel filme pode ser uma maneira de se proteger de doenças sexualmente transmissíveis.

A forma mais comum de contágio ainda se dá pelas relações sexuais. Não existem mais grupos de riscotodos que são sexualmente ativos e não usam camisinha estão suscetíveis a doença. Por isso, a melhor maneira de se prevenir contra o HIV é utilizar preservativos em todas as relações sexuais.

Confira, nos vídeos abaixo, o jeito correto de se colocar a camisinha masculina e feminina, respectivamente:

 

 

Se for necessário usar utensílios perfurantes, como seringas e agulhas, certifique-se de optar pelas versões descartáveis. Também se recomenda o uso de luvas sempre que for preciso manipular feridas ou fluídos corporais, como sangue, por exemplo. Gestantes que já estejam infectadas pelo HIV devem usar antirretrovirais durante toda a gravidez, para garantir que o bebê nasça saudável.
Faça o teste rápido de HIV pelo menos uma vez por ano. O exame dura menos de 30 minutos e pode ser feito gratuitamente em qualquer posto de saúde, com a coleta de duas gotas de sangue retiradas da ponta de um dos dedos das mãos. Se descobrir a doença e trata-la corretamente desde o início, o portador de HIV pode levar uma vida praticamente normal, embora sem excessos. Levar uma vida saudável é a maneira mais garantida de felicidade.

Quer saber mais a respeito? Temos uma seleção de livros para você aprofundar seus conhecimentos!