Cerca de 1200 médicos residentes fazem greve no Hospital de São Paulo

Há duas semanas, em um ato simbólico, os médicos residentes do Hospital de São Paulo, estudantes de medicina da Universidade Federal de São Paulo, deram-se as mãos e rodearam o perímetro do edifício para representar um abraço solidário. O gesto marcou, no dia 24, o início da greve de aproximadamente 1.200 residentes. Os motivos são a falta de estrutura, medicamentos e equipamentos para atender os pacientes.

Segundo os grevistas, o número de atendimento realizado no hospital tem aumentado todos os anos, mas o repasse de verbas corre no sentido contrário. Para piorar a situação, médicos afirmam que o Governo Federal cortou 40% do repasse. As consequências têm sido a falta de insumos básicos, como antibióticos, quimioterápicos e corticóides, a falta de manutenção em equipamentos para exames e a internação de pacientes nos corredores do hospital.

O hospital atende 90 mil consultas, 2.600 internações, 1.600 cirurgias e cerca de 290 mil exames laboratoriais por mês. O diretor do Sindicado dos médicos de São Paulo, Gerson Salvador, relata que a circunstância é crítica. “A situação do hospital está gravíssima, além da formação dos residentes está em risco a saúde da população”, afirma.

Negociações

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No último dia 26 de junho, houve uma reunião entre os residentes e o Conselho Gestor do hospital para tentar negociar o fim da greve. O documento apresentado no dia 29, entretanto, deixou alguns pontos discutidos no encontro fora das prioridades do hospital. Segundo Dr. Diego Garcia, presidente da Associação de Médicos Residentes do Estado de São Paulo – Ameresp, a proposta documentada foi diferente do que havia sido acordado.

“Um dos pontos prioritários apontados pelos médicos é a falta de medicamentos. Na reunião da última sexta-feira havia sido acordado entre as partes o repasse de R$ 3 milhões somente para a resolução deste item. No entanto, no documento oficial de contraproposta do HSP, o valor para compra de remédios foi excluído”, revela em entrevista ao site da Associação Médica Brasileira.

Dr. Garcia conta ainda que a lista de medicamentos disponíveis tem sido negada aos residentes para evitar especulações sobre a falta de outros remédios em estoque. Sobre a manutenção dos equipamentos, o documento também se omitiu quanto a previsão de data para reduzir o problema.

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