Ministério da Saúde segue sem nomear novo diretor para o Departamento de Aids

Doze dias. Este é o tempo em que o Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, que já foi considerado referência para o mundo, recebeu prêmios e elogios, está agora sem um coordenador exclusivo. Desde a exoneração do diretor Dirceu Greco e dos pedidos de demissão dos seus diretores-adjuntos Eduardo Barbosa e Rui Burgos, o órgão passou a ser coordenado interinamente pelo Secretário de Vigilância em Saúde, Jarbas Barbosa, que acumula mais esta função. O Departamento passa por uma crise sem precedentes na história da saúde no Brasil e na trajetória do enfrentamento da epidemia.

Nos últimos dias, manifestações nas ruas, em conferências e pela internet pediram a saída de Alexandre Padilha do Ministério da Saúde. As críticas e a crise são consequências do terceiro veto em campanhas de prevenção às doenças sexualmente transmissíveis. Em 02 de junho, Dia Internacional das Prostitutas, o Departamento de Aids publicou em seu site imagens e mensagens voltadas à esta população. O material que trazia em um dos banners uma mulher afirmando ser feliz em ser prostituta gerou polêmica. Foi tirado do ar dias depois, acarretando na exoneração de Dirceu e o pedido de demissão de seus principais assessores. O Ministério explicou que a peça veiculada no site não continha mensagem direta de prevenção e não havia sido avaliada antes pela comunicação da Pasta.
“Caminhamos para um retrocesso histórico na luta contra a aids”, disse o professor da Faculdade de Medicina da USP e presidente do Grupo Pela Vidda (Valorização, Integração e Dignidade do Doente de Aids) de São Paulo, Mário Scheffer.

Jenice Pizão, integrante do Movimento Nacional das Cidadãs Positihvas (MNCP), afirmou que “o que mais dói é que as prostitutas são parceiras na luta contra a aids desde o começo da epidemia, e agora são excluídas de uma campanha”.

Já o pesquisador e também professor da USP Jorge Beloqui disse “não tolerar as atitudes do ministro Padilha”, que segundo ele, “está sacrificando a saúde da população por conta de uma possível candidatura ao governo de São Paulo”.

As prostitutas que participaram da campanha também criticaram a atitude do governo e afirmaram que vão exigir a suspensão da campanha e a parceria com Ministério da Saúde.

A crise tem ganhado repercussão mundial, com críticas públicas de organizações internacionais, como a Coalizão Internacional de Preparação para o Tratamento (ITPC) e Rede Latinoamericana de Pessoas com HIV; e ganhado destaque nas agências de notícias BBC e Reuters.

Governo responde

O Ministério da Saúde, por meio da sua Assessoria de Imprensa, informou que as peças sobre as prostitutas expostas no site do Departamento não passaram por análise e aprovação da Assessoria de Comunicação Social, por isso foram retiradas do ar. Logo, o descumprimento das normas previamente estabelecidas pela Pasta justificou a retirada das peças do site do Departamento e de seus perfis nas redes sociais e a apuração das responsabilidades.

Com Informações da Agência de Notícias da AIDS