Poliomielite - Conheça mais sobre a doença

Poliomielite – conheça mais sobre a enfermidade que assusta a Organização Mundial de Saúde

Nessa segunda-feira (5) foi declarado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) estado de emergência de saúde pública para Poliomielite; a doença já foi detectada em 10 países e agora está sendo considerada como ameaça global. Mas e você, sabe o que é a Poliomilite?

Conhecida mais popularmente como “paralisia infantil”, a Poliomilite é uma doença causada pelo Poliovírus; é altamente contagiosa e pode ser transmitida via fecal-oral – ou seja, pode ser transmitida pelo contato direto pessoa a pessoa por meio de muco, catarro ou fezes infectadas. Devido a esse meio de transmissão, passa a afetar em sua grande maioria, crianças de até 5 anos de idade.

Poliovírus - o vírus causador da Poliomielite ou Paralisia Infantil

Na imagem: representação digital do poliovírus;

 

O vírus começa a se multiplicar na garganta do paciente ou em seu canal intestinal – locais por onde se dá a penetração do vírus no organismo. Ele tem um período de incubação que varia de 5 a 35 dias que é quando o vírus atinge a corrente sanguínea, atacando diretamente o sistema nervoso do paciente e destruindo seus neurônios motores.

Os neurônios motores podem ser encontrados tanto no Sistema Nervoso Central (SNC) quanto no Sistema Nervoso Periférico (SNP), eles são responsáveis por responder à estímulos – tanto externos quanto internos que foram recebidos e interpretados no SNC. Basicamente, a função dos neurônios motores é a de realizar uma ponte entre o SNC e os músculos e glândulas do corpo. A destruição desses neurônios pode levar à paralisia e é desse sintoma que vem o nome popular da doença: paralisia infantil.

Os sintomas da poliomielite

Sintomas da Poliomielite - Paralisia Infantil

Fique atendo para os graus da doença; em seu estado moderado, muitas vezes não se apresentam sintomas

 

A poliomielite pode ser classificada em dois graus: moderada (subclínica) e severa (dividida em paralítica e não-paralítica). Dentre os graus da doença, os sintomas de sua manifestação variam, normalmente pacientes com poliomielite moderada chegam a nem se sentir doentes, apresentando somente sintomas parecidos com uma gripe: mal-estar, febre leve, dor de garganta e vômitos. Existem ainda casos da infecção subclínica em que os pacientes não apresentam sintomas ou estes duram menos que 72 horas.

Na poliomielite não-paralítica, os sintomas se manifestam durante um período que pode variar entre uma e duas semanas; o paciente se mostra indisposto (cansado e com dores nas costas, cabeça, pescoço e membros), irritadiço, apresenta muita sensibilidade muscular, vômitos, rigidez muscular e erupções na pele.

Na poliomielite paralítica o paciente apresente febre de 5 a 7 dias antes dos outros sintomas, passados esses dias apresenta-se sensação anormal nas pernas, pescoço ou costas (mas não perda de sensibilidade), inchaço no abdome, constipação, falta de ar e dificuldade de respiração, dores de cabeça e musculares, espasmos e contrações na batata da perna, sensibilidade ao toque, dificuldade de deglutição, rigidez muscular. Os sintomas vão piorando até chegar à paralisia propriamente dita; as manifestações ocorrem de acordo com a parte da medula espinhal afetada (por isso os sintomas variam entre pernas, costas e pescoço).

 O diagnóstico da poliomielite

Poliomielite como diagnosticar

O diagnóstico da poliomielite se dá na observação dos sinais clínicos e em exames laboratoriais, dentre eles: exame de fezes, exame do liquor, exame dos anticorpos da classe IgM e a eletroneuromiografia.

O exame do líquor consiste na coleta do líquido que banha o sistema nervoso; esse líquido, chamado de líquor, encontra-se dentro das meninges (membranas que protegem o Sistema Nervoso Central). No exame é feita a punção com agulha descartável, realizada por um médico especialista – a coleta pode ser realizada na região posterior do pescoço ou nas costas e a dor é semelhante a uma coleta de sangue.

No exame dos anticorpos classe IgM, são coletadas para estudo as imunoglobulinas M, os primeiros anticorpos a apresentarem reação imunológica contra microrganismos doentes. O material a ser analisado é extraído da veia do braço, leva cerca de 10 minutos para a coleta e os resultados podem ser obtidos cerca de 2 a 3 dias depois de realizada a coleta.

A eletroneuromiografia é utilizada para diagnosticar doenças que estejam afetando os nervos periféricos e motores espinhais – além dos músculos e junções neuromusculares; dos exames citados é, talvez, o mais doloroso pois é realizado com estímulos elétricos aplicados nos nervos periféricos porém, a dor é absolutamente suportável. É indicado que para o exame, os pacientes se alimentem bem e evitem aplicar hidratantes, óleos ou quaisquer cosméticos na região examinada, além de optar por roupas não muito justas.

Vacinação e tratamento da poliomielite

Poliomielite vacinação e tratamento

No Brasil, não são registrados casos de poliomielite desde 1990 e as campanhas de vacinação do “Zé Gotinha” promovidas pelo SUS, possuem um alcance de 95% da população

 

Como não existe nenhum medicamento capaz de erradicar o poliovírus, o tratamento se dá especificamente para os sintomas da doença. Um dos cuidados destacados é o repouso absoluto do paciente logo nas primeiras manifestações da doença para reduzir a taxa de paralisia; é preciso mudar frequentemente a posição do paciente na cama, além disso, seu colchão deve ser firme e ter um bom apoio para os pés e a cabeça.

Para dor, febre e problemas urinários e as primeiras manifestações da paralisia e problemas respiratórios, recomenda-se buscar atendimento médico e manter acompanhamento fisioterápico para acompanhar o desenvolvimento do paciente.

A imunização da doença se dá por meio da vacinação oral ou por meio da vacinação injetável; no Brasil, recomenda-se a aplicação da vacina oral (conhecida por campanhas do Ministério da Saúde pela personificação do Zé Gotinha) em crianças entre 6 meses a 5 anos de idade. Crianças menores de 6 meses recebem a imunização injetável – introduzida no calendário básico de vacinação em 2012.